A conclusão é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Laudo diz que o avião pode ter decolado com cerca de 300 kg a mais que o indicado pelo fabricante.
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O relatório final sobre a queda do avião que estava com a delegação do Palmas Futebol e Regatas apontou que o excesso de peso pode ter causado o acidente que matou seis pessoas. A conclusão é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
No dia 24 de janeiro de 2021, a aeronave de matrícula PT-LYG pegou fogo logo após a decolagem em Luzimangues, distrito de Porto Nacional (TO). Morreram o piloto Wagner Machado Júnior, o presidente do clube, Lucas Meira, e quatro atletas do time: o goleiro Ranule, o lateral-esquerdo Lucas Praxedes, o zagueiro Noé e o atacante Marcus Molinari.
A delegação seguia para Goiânia, onde a equipe enfrentaria o Vila Nova pela Copa Verde.
De acordo com o relatório, finalizado no dia 30 de março, mais de dois anos depois do acidente, o avião não teria conseguido pegar altitude por causa do excesso de peso e caiu a 150 metros da cabeceira da pista. Os tanques de combustíveis localizados nas asas teriam colidido de forma simultânea no solo, o que provocou as chamas que consumiram toda a estrutura.
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Mapa do local onde o avião caiu, em Luzimangues — Foto: Reprodução/Cenipa
A investigação começou a analisar possíveis problemas na aeronave, e foi observado que “os motores e hélices apresentavam indícios de que estariam operando normalmente no momento em que ocorreu o impacto”, segundo trecho do relatório. Testemunhas também relataram que a princípio a decolagem não teve anormalidades, como barulhos ou fumaça.
Também foi apurada a condição psicológica do piloto Wagner Machado Júnior, e foi apurado que ele era um profissional cuidadoso e criterioso com as condições de voo. No dia do acidente, ele realizou todos os procedimentos de rotina que preparam a aeronave para o trajeto.
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Avião pegou fogo logo após cair em Porto Nacional — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação
Excluindo esses fatores, a Comissão de Investigação passou a analisar a situação do peso e balanceamento da aeronave. Levando em consideração o peso do avião, possível posicionamento das bagagens, peso da tripulação e passageiros e até a disposição dos ocupantes nas fileiras, foi concluído que o avião pode ter decolado com cerca de 300 kg a mais que o indicado pelo fabricante.
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Trecho do relatório que aborda a pesagem do avião que estava com a delegado do Palmas — Foto: Divulgação/Cenipa
Testemunhas que viram o momento da decolagem também relataram aos investigadores que após a primeira tentativa em decolar, o movimento chamado arfagem, o trem de pouso voltou a tocar o solo. Isso pode configurar que pelo excesso de peso, o avião não conseguiu subir, precisando assim de mais velocidade.
Para calcular o peso total da aeronave, o Cenipa levou em consideração:
- Peso estimado das vítimas;
- Peso estimado das bagagens;
- Peso da aeronave;
- Peso do combustível.
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Em uma segunda tentativa, por estar com o controle gravitacional alterado, pode ter ocasionava uma tendência de “cabrar” que é levantar o nariz do avião. Esse movimento pode ter feito com que o piloto perdesse o controle. Com a baixa altitude e a decisão de seguir com o voo acabou gerando o acidente e causado a morte de todos que estavam na aeronave.
No relatório final, o Cenipa não dá nenhuma recomendação de segurança. Mas afirma que a investigação de acidentes aéreos é feita com a intenção de prevenir ocorrências e não tem como objetivo apontar responsáveis.
O laudo afirma ainda que o aeródromo de onde o avião decolou estava em situação regular.
O g1 tenta contato com algum representante do Palmas Futebol e Regatas, que atualmente não disputa nenhuma competição oficial. A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso segue sendo investigado pela 72ª Delegacia de Polícia de Luzimangues e mais informações serão passadas em momento oportuno.